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Economia
Escritórios ‘virtuais’ prevêem crescer
10%
| Heloisa Valente |
04/Agosto/2003 |
 |
Na contramão da crise econômica, o segmento de escritórios
‘virtuais’ — também conhecidos como centros de negócios — espera
crescer 10% este ano. O setor faturou, em 2002, cerca de R$ 270 milhões e
estima fechar 2003 no patamar de R$ 300 milhões.
Para 2004, as perspectivas são ainda mais otimistas, quando a receita
pode atingir os R$ 360 milhões. Para Paulo Karnas, presidente da Associação
Nacional dos Centros de Negócios e Escritórios Virtuais (ANCN),
“momentos de crise acabam fomentando maior procura pelo negócio”. As
empresas reduzem custos e migram para os escritórios ‘virtuais’ para
diminuir despesas. De outro lado, os profissionais liberais — muitas
vezes demitidos de seus atuais empregos — acabam se apoiando na
atividade para conduzir seu próprio negócio, avalia.
No Brasil existem 480 empreendimentos ligados ao setor. O Estado de São
Paulo concentra a maior parte dos negócios. Na capital paulista são
aproximadamente 30 centros e cidades comerciais como Santana de Parnaíba
e Barueri têm, juntas, mais 220 unidades. Os escritórios ‘virtuais’
iniciaram suas atividades no País no início de década de 90, oferecendo
um ‘pacote’ de serviços para empresas e profissionais liberais. Um
endereço fixo para correspondência, linhas telefônicas e computadores
com Internet, atendimento telefônico personalizado, local para reuniões,
teleconferências e recepcionistas bilíngüe são alguns dos serviços
incluídos no contrato com os clientes.
A Região Sudeste e o sul do Brasil são as localidades onde os escritórios
‘virtuais’ são mais procurados. O perfil dos clientes é formado por
empresas brasileiras com representatividade estadual, multinacionais com
filiais no Brasil e profissionais liberais que apostam na modalidade de
trabalho para alavancar negócios.
O presidente da ANCN diz que a atividade já ocupa lugar de destaque na
economia nacional. “No final dos anos 90, cerca de 9% da população em
São Paulo tinha conhecimento do setor. Hoje, o segmento acumula
crescimento anual, em termos de faturamento. Novas unidades de negócios
estão se formando a cada ano”, destaca.
No Virtual Office, em Alphaville, os custos para manter um escritório
‘virtual’ iniciam em R$ 280,00 mensais. O pacote inclui endereço,
postagem de correspondência, Internet e telefones.
Maria Helena Gradilone, diretora do grupo, comenta que entre os clientes
estão empresas estrangeiras que preferem ter no País escritórios
‘virtuais’ a investirem em imóveis e pessoal.
“Na empresa oferecemos um pacote completo para o cliente. Ele pode
investir na modalidade virtual e também locar um escritório fixo por mês,
contando com todos os serviços sem se preocupar em contratar funcionários”,
afirma. A empresa espera ter a sua receita acrescida em 5% este ano e em
10% em 2004. Entre os clientes estão 600 empresas brasileiras e mais
cerca de 100 estrangeiras.
Também para o VBA Business Center, com uma unidade na Capital e outra em
Santo André, o mercado tem se mostrado promissor. O diretor do grupo, Ernísio
Martines Dias, comenta que uma das principais vantagens para as empresas e
profissionais é flexibilidade na contratação dos espaços e dos serviços.
“Montamos um pacote adequado às necessidades de cada cliente. A utilização
do espaço pode ser fixa ou rotativa, dependendo da necessidade de cada
um”, afirma. O grupo, que tem oito anos de atuação, tem um faturamento
de R$ 250 mil por ano e pretende expandir em 20% ainda este ano. Entre os
clientes estão mais de 60 empresas fixas e entre 80 e 100 rotativas.
O Grupo BLC, do Rio de Janeiro, possui três unidades de negócios e até
2005 vai expandir sua atuação com mais dois centros na capital
fluminense. O investimento da rede na expansão é de R$ 3 milhões. O
diretor-executivo, Fernando Olinto, diz que “os escritórios
‘virtuais’ são uma grande incubadora de empresas de sucesso. A
modalidade de trabalho permite diminuir custos em até 60% quando
comparado à locação de um imóvel convencional e de serviços para o
desenvolvimento dos negócios”.
Ele comenta que a modalidade de trabalho permite aos profissionais crescer
a longo prazo. “Hoje a rede conta com mais de 100 profissionais liberais
e 50 empresas utilizando os serviços”, afirma.
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Localização: Em prédio Comercial no
Coração de Campinas, próximo aos pontos comerciais do
centro da Cidade.
Estacionamento
com manobrista
Praça de
alimentação
Shopping de
conveniência
Segurança
privada 24 horas por dia
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GAZETA MERCANTIL - SEGUNDA-FEIRA, 18 DE MAIO DE 1998 Página C-3
Trabalho virtual atrai empresas e profissionais
HP, Biosintética, Kodak e Adaptec mandam parte dos funcionários
trabalhar em casa e ganham em custos e produtividade.
Taís Fuoco, de São Paulo
- Os recursos de informática estão garantindo economia e aumento
de produtividade às empresas que apostaram num conceito moderno de
trabalho: o virtual. O já possível acesso remoto, de casa ou das
ruas, está acelerando o fechamento de negócios de companhias como
Hewlett-Packard (HP), Kodak e Laboratórios Biosintética.
- No caso da Adaptec, empresa norte-americana que desenvolve
interfaces para computadores de pequeno porte, o "country manager"
brasileiro é virtual. José Henrique Amorosino trabalha em sua casa,
em Campinas (SP), desde janeiro do ano passado.
- Na Kodak brasileira, outro caso de empresa que adotou o trabalho
virtual, US$ 3,5 milhões foram investidos desde 1984 para oferecer a
cerca de 130 vendedores e executivos a infra-estrutura necessária
para conectar-se à empresa, de casa ou da rua, sempre que for
preciso.
- Para permitir o acesso, a empresa instalou linhas telefônicas
exclusivas na casa de cada um deles, além de um desktop (computador
de mesa), correio eletrônico, "order entry" (sistema de
gerenciamento de clientes que acessa a situação de cada um deles em
relação a crédito e estoque), secretária eletrônica e pager.
- De 1994 para cá, os PCs estão sendo substituídos por "notebooks"
com placa de modem, permitindo que o equipamento possa ser levado em
visitas ou viagens, já na plataforma Windows. O modelo de e-mail
(correio eletrônico) oferecido, o Professional Office System (Profs),
da IBM, foi substituído pelo CC-Mail, da Lotus, que permite enviar
mensagens de forma mais eficiente e barata, segundo a Kodak.
- Segundo Waldir Berger, diretor de relações com o mercado da
Kodak, os funcionários perdiam tempo na locomoção até o trabalho,
tomavam cafezinhos com os colegas de escritório, saíam para almoçar
e, em todas essas atividades, perdiam tempo que poderia ser usado no
incremento das vendas.
- Com a implantação do acesso remoto, "o número de clientes
visitados por vendedor quintuplicou", afirma Berger. Os clientes
também estão mais satisfeitos com o atendimento dispensado, diz o
executivo.
- Do início do processo para cá, a mudança mostrou-se cada vez
mais apropriada, segundo ele. "0 trânsito só piorou e as locomoções
estão cada vez mais difíceis", diz Berger. O único ponto não
favorável foi a confraternização entre os trabalhadores, situação
que a empresa tenta contornar com reuniões de integração.
- Além do maior contato com os clientes, que pode resultar no
crescimento das vendas, a Kodak também eliminou o espaço que esses
130 funcionários ocupavam em suas instalações. Outra vantagem,
segundo a empresa, é permitir ao quadro virtual acesso às informações
da empresa 24 horas por dia.
- Os Laboratórios Biosintética também adotaram a informática
para incrementar as vendas e prestar serviços diferenciados. Nos últimos
dois anos, a empresa investiu US$ 2,5 milhões em informatização,
dos quais US$ 1 milhão para permitir o acesso remoto à sua força de
vendas. Desse volume, US$ 300 mil foram em hardware interno, US$ 400
mil em aplicativos e US$ 350 mil anuais em telecomunicações.
- "Adotamos o modelo de equipes de alto desempenho, pelo qual
os gerentes passaram a ser líderes executivos e a figura do chefe
deixou de existir. A Global One foi contratada para fornecer o acesso
à lnternet, que permitirá aos representantes comerciais receber
informações, solicitar pesquisas e amostras de medicamentos",
diz Henry Visconde, vice-presidente da Biosintética.
- A empresa colocou o acesso remoto à disposição dos 220 funcionários,
entre líderes e representantes comerciais. A idéia partiu de uma
pesquisa que detectou que 35% da força de vendas da Biosintética
dispunha de microcomputador em casa. Os vendedores já não dispõem
de espaço físico na empresa e, segundo Visconde, "estão mais
próximos da Biosintética do que antes".
- Quanto ao retomo do investimento, o vice-presidente afirma que o
maior ganho será na agilidade das informações e no maior acesso de
todos os departamentos aos dados da empresa. "Não queremos
economizar, queremos ganhar produtividade e faturamento", diz
Visconde.
- A Hewlett-Packard faz uso extenso do trabalho remoto nas áreas
de vendas e manutenção. Dos 850 funcionários que a companhia mantém
no Brasil, 200 trabalham dessa forma, equipados com notebooks
conectados à rede interna, além de telefones celulares. Quando esse
pessoal precisa de uma mesa de escritório para realizar um
determinado trabalho, a empresa coloca à disposição um escritório
virtual.
- A idéia surgiu em função do trânsito caótico da capital
paulista e das distâncias a serem percorridas, já que os escritórios
físicos da empresa ficam em Alphaville, no município de Barueri,
Grande São Paulo.
- "Colocamos à disposição uma sala na avenida Nações
Unidas, na capital, com várias mesas, telefones e estrutura elétrica
para que os computadores possam ser conectados", diz Alberto
Golbert, diretor de recursos humanos da HP.
- A empresa afirma não estar satisfeita com o sistema porque
"ele atinge um número ainda muito pequeno de funcionários.
Queremos ampliar essa forma de trabalho para todos os funcionários
fixos da empresa", diz o diretor da HP.
- Segundo o executivo, nos últimos três anos "muito foi
investido, mas, com certeza, os ganhos foram muito maiores que o
investimento. Uma pessoa produz muito mais em casa do que num escritório".
- A Manager Assessoria em Recursos Humanos ouviu 314 profissionais,
de empresas de vários setores e espalhadas por todo o País, no período
de dezembro de 1997 a janeiro de 1998. A pesquisa mostra que a opção
por trabalhar em casa ou remotamente mostra-se um desafio para as
empresas. Essa foi a definição do "home office" para 57,3%
dos pesquisados. Para 31,8% deles, a proposta é estimulante, 19,7%
dizem ser um sistema eficaz de trabalho, mas 2,5% acham-no desnecessário
e 1,9%, ineficaz.
- As vantagens dessa opção podem ser apontadas tanto do lado dos
trabalhadores como da empresa. Na pesquisa, as principais vantagens
apontadas para a empresa são redução de custos, aumento de
produtividade e diminuição do tempo gasto com deslocamentos. Para o
profissional, as vantagens são economia de tempo, melhor distribuição
das rotinas e maior privacidade.
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